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ELES SÓ PENSAVAM “NAQUILO”

Passando meses no mar, aquelas tripulações exclusivamente masculinas da frota de Cabral, mais do que de comida  e água frescas, tinham necessidade de companhia feminina.

Por isso, arregalaram os olhos ao verem as índias seminuas, que lhes pareceram muito atraentes. Só o fato de andarem sem roupas, já as tornava alucinantemente sedutoras. As européias da época cobriam-se dos pés à cabeça.

Pero Vaz, num arroubo compreensível, disse logo que as nativas eram moças, bem moças e gentis!… Pero Lopes foi mais longe: afirmou que causariam inveja às mais bela patrícias da Rua Nova, em Lisboa.

Não é atoa que os portugueses da época tinham um provérbio: “O homem é fogo e a mulher estopa; vem o diabo e assopra”.

ADEQUADAMENTE REMUNERADO

O humor literário época do Descobrimento, era quase todo ele escrito em versos. Como este, “Foi um dia Lopo Jogral”, de Martim Soares, a respeito de um jogral que cantava desafinado:

                                   Foi um dia Lopo jogral

                                   Cantar na casa de um fidalgo

                                   E deu-lhe este em pagamento

                                   Três coices na garganta,

                                   E até foi moderado, a meu ver,

                                   Pelo jeito como ele canta.

 

                                   E tratou-o com moderação

                                   Ao dar-lhe tão poucos coices,

                                   Pois não deu a Lopo então

                                   Mais de três em sua garganta

                                   E mais merecia o jogralão,

                                   Pelo jeito como ele canta.

NAVIO COM TELEFONE DE LINHA

Pierre Daninos, humorista francês, ao desembarcar no Brasil no final dos anos 40 do século passado, foi informado por amigos brasileiros que o Minas Gerais, couraçado da Marinha Brasileira, tinha telefone fixo, cujo número constava do catálogo telefônico da cidade do Rio de Janeiro. Daninos não acreditou, mas assim mesmo discou o número que lhe deram, 236063.  Para sua surpresa, ouviu uma voz com forte sotaque nordestino atender: “ Alô? Couraçado Minas Gerais, às suas ordens!

SOPA NO MEL

Cá entre nós: sopa no mel deve ficar horrível! No popular: uma porcaria – estragando tanto a sopa quanto o mel. De onde vem, então, a expressão idiomática “sopa no mel”, tão difundida entre nós, para expressar aquilo que vem a calhar, que acontece da forma mais conveniente, no momento mais propício, que chega a propósito? Ela surgiu em Portugal, provavelmente no século XV ou XVI. Antônio Nogueira Santos explica que, nessa época, sopa significava “bocado de pão que se ensopa”. No linguajar de nossos dias, seria, portanto: ensopa no mel.

ESTEPE (PNEU RESERVA)

A etimologia do termo estepe, no sentido do pneu reserva que levamos no porta-malas do automóvel, origina-se do abrasileiramento do termo inglês step tyre , “pneu do estribo” . Isto porque os primitivos automóveis costumavam trazer o pneu sobressalente (tyre), sobre o estribo lateral (step). Nos anos trinta, certa vez um fazendeiro entrou esbaforido numa oficina, em Bagé, pedindo socorro, pois tinha ficado na estrada “com uma ursa sem estrepe”.  Somente depois de muita conversa foi que o mecânico conseguiu entender, que o homem estava era com um Hudson (marca de carro), sem estepe!

SANTINHA DO PAU OCO

O termo, que significa fingida inocência, vem da época do Brasil Colonial. Um dos artifícios de que se valiam os mineradores nacionais para burlar o rígido controle dos fiscais da Coroa Portuguesa, era contrabandear ouro em pó e pedras preciosas, dentro de estatuetas ocas de madeira, representando a Virgem Maria. Desta forma escapando do pagamento de pesados impostos. O disfarce em ícone católico, propiciava  proteção contra o exame meticulosos dos portugueses, e funcionou com sucesso por certo tempo, até a burla ter sido denunciada e descoberta. Tais estatuetas, usadas pelos contrabandistas com essa finalidade, passaram a ser conhecidas como santinhas do pau oco.