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SACRIPANTA

A palavra é originária de Sacripante, personagem muito salafrário do poema épico “Orlando Furioso”, escrito por Ludovico Ariosto em 1516. O sentido é de velhaco, patife, pesoa capaz de todas as violências e indignidades. É por isso que quando se chama alguém de sacripanta, o cidadão fica muito mais furioso que o próprio Orlando.

BATER A CACHOLETA

Ir desta a para a melhor, desencarnar; bater as botas. O termo vem de Portugal, uma vez que no português popular arcaico, cacholeta tinha o significado de cabeça. Provém do fato de que o moribundo, num último espasmo, no instante da morte, costuma levantar a cabeça do leito e depois deixá-la cair de súbito no leito, batendo a cacholeta.

BATER AS BOTAS

A macabra expressão difundiu-se durante a Guerra do Paraguai, para significar morrer, na linguagem dos soldados. Quando os soldados eram gravemente feridos, eram estendidos no chão ou numa maca, pelos companheiros ou pelo corpo médico, e, nos estertores finais, sacudiam espasmódicamente as pernas, batendo as botas uma na outra.

CHULIPA

Nos estados do Nordeste e particularmente no Ceará, os dormentes da estrada de ferro são vulgarmente conhecidos por chulipas. Esta palavra é originária do inglês, pelo fato da primeira ferrovia cearense ter sido construída por uma firma inglesa. Os engenheiros britânicos tiveram muitas vezes que lidar com os dormentes, pronunciando amiúde a palavra sleeper, até então desconhecida dos trabalhadores. Esse vocábulo significa dormente e se pronuncia, mais ou menos, slipa. Depois – como afirmou o Barão de Itatararé – foi mais fácil passar de slipa para chulipa, que de Germano para gênero humano.

PRONTO (ESTAR)

Expressão que significa estar sem dinheiro algum, sem um tostão nos bolsos. Bastos Tigre afirma que a origem da expressão pronto deve-se ao boêmio Clímaco Barreto, do Rio de Janeiro, que por volta de 1905 – 1906, nas suas noitadas bebia muito sem ter dinheiro. Na hora de pagar, levantava os braços dizendo aos garçons que o cobravam:

– Pronto! Revistem-me e vejam se descobrem por aí, em qualquer bolso, um único níquel…

FORRÓ

No início do século XX, os engenheiros ingleses que dirigiam a construção de ferrovia em Pernambuco, promoviam bailes periódicos de que participavam o pessoal da administração da obra, as autoridades locais e membros da comunidade britânica. Ocasionalmente esses bailes eram mais democráticos, abertos a todos, ou seja “for all” ( for ól). Os nordestinos iletrados, pegando a palavra de ouvido, diziam: “Hoje o baile é forró, gente!”.