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FEITO NAS COXAS
Calma! Ao contrário da explicação escabrosa que logo vem à mente dos maliciosos, a origem do termo é bem inocente. Na época colonial, as telhas eram feitas pelos escravos nas olarias, e as havia de duas espécies: as telhas de primeira, para as casas dos senhores, eram moldadas em formas; e as telhas de segunda – para cobrirem estábulos, galpões, engenhos – que os escravos as conformavam moldando a argila nas próprias coxas. Como pode-se imaginar, eram telhas bem vagabundas e irregulares, essas feitas nas coxas. Viram como não se deve tirar conclusões precipitadas?
QUINTOS DOS INFERNOS
A literatura religiosa medieval já reconhecia a existência de cinco infernos. Mas o termo, entre nós, parece ter se originado do imposto de 20% que a Coroa Portuguesa extorquia, no período colonial, de todo o ouro produzido no Brasil. Isso causava tanta revolta entre os brasileiros da época, que ao referirem-se ao detestável imposto, sempre diziam: “Os quintos dos infernos!”. Logo, os quintos dos infernos passou a ser o lugar para onde os colonos, quando enfurecidos, costumavam mandar o rei de Portugal, o vice-rei, a sogra, etc.
ZAGA
Este é um termo bem familiarizado com o futebol. É nome dado à posição dos dois jogadores da defesa. Zaga é uma espécie de palmeira de que os índios faziam lanças, chamadas azagaias. Na defesa contra os inimigos, os índios costumavam tomar posição estratégica nos lugares onde as zagas existiam em grande quantidade. Assim, enquanto uns iam produzindo azagaias em linha de montagem, outros as iam arremessando nas barrigas dos inimigos.
URSO (URSADA)
O brasileirismo originou-se do fato desse animal ser tido como traiçoeiro, não encarando seus adversários nos olhos, e andando à volta deles para atacá-los traiçoeiramente. E, principalmente, por abraçar suas vítimas, esmagando-as e segurando-as para mordê-las. Representa o amigo falso, como todos nós conhecemos alguns por aí, que mal nos vêem correm a nos abraçar.
CAMUNDONGO (GUINDASTE)
Quem for estranho ao meio, ficará surpreso ao visitar um porto brasileiro, e ouvir os estivadores chamarem os gigantescos guindastes, que içam toneladas de cargas aos navios, de camundongos. Especialmente sendo camundongo o nome dos filhotes de rato! Medeiros e Albuquerque explica que os primeiros guindastes portuários vieram dos Estados Unidos e os seus maquinistas eram americanos. Quando eles iam baixar uma carga, exclamavam: “Come down!… Come down!…”, para avisar quem estava embaixo. Para os operários brasileiros, os gringos eram uns doidos com aquele: “Camundongo!… Camundongo!…”
BARBEIRO (BARBEIRAGEM)
Lima Barreto, numa crônica, diz que a origem do apelido depreciativo barbeiro, dado ao motorista que dirige mal, vem da época das carruagens. No tempo do Império, os cocheiros consideravam-se a elite das camadas populares, e especialmente superiores aos barbeiros. Assim, quando um cocheiro cometia um erro na condução da carruagem ou dos cavalos, os colegas o chamavam: Barbeiro! Com o advento do automóvel, no começo do século XX, muitos cocheiros passaram a motoristas, e o termo depressivo, aos inábeis ao volante.