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COM TEIAS

Emílio de Menezes ia ao final de todos os meses ao Tesouro para receber do salário de um cargo público que exercia. E ao entrar ali era sempre abordado por um sujeito que, chorando as suas misérias, conseguia extorquir-lhe uma cédula de cinco mil réis.

Certa vez o mordedor exagerou nas suas lamentações:

– O senhor não imagina – gemia, – o que eu tenho passado. Basta dizer-lhe que há quinze dias não como!

– O que, homem? – espantou-se o poeta.

E para os funcionários:

– Este camarada com certeza já está com teias de aranha no céu da boca!…

AINDA

Olavo Bilac pela Cervejaria Brahma, na Avenida Rio Branco, às 7 horas da manhã, quando teve a grande surpresa de ver Emílio de Menezes, displicentemente sentado no interior do bar, tendo a frente um respeitável copo de chope.

Bilac, aproximando-se de Emílio, disse-lhe em tom brejeiro:

– Mas, então, Emílio, já?

Ao que Emílio de Menezes respondeu:

– Já, não. Ainda…

DIVERGÊNCIA

Certa vez Emílio de Meneses encontrou na rua com Teixeira Mendes, pregador da religião positivista, que lhe explicou:

– Vou para o apostolado.

Ao que Emílio retrucou:

– Ah, pois eu vou para o lado oposto…

FINALIDADE

Não tendo o que fazer Emílio de Menezes aceitou, certa vez, o convite de um médico da Saúde Pública para acompanhá-lo na fiscalização de uma fábrica de salsichas.

À saída disse o poeta:

– Agora sei porque é que as salsichas são cobertas com uma tripa.

– Por que é? – perguntou o médico.

– É para a gente não saber o que há dentro…

FALÊNCIA BANCÁRIA

Ia, Emílio de Menezes, num bonde, sentado num banco em que já se achavam duas avantajadas matronas. A certa altura da viagem, o banco, talvez porque não resistisse ao peso – como se sabe Emílio era enorme – cedeu e os passageiros caíram. Emílio, ao levantar-se, ria com aquele seu riso sacudido, tão seu.

Uma das mulheres, porém, não achou graça e perguntou ao vate por que se ria, se ele também caíra.

– Rio – respondeu Emílio – porque é a primeira vez que um banco se quebra por excesso de fundos.

SÓ ASSIM

Havia certo indivíduo que, por hábito chamava Emílio de Menezes de “mestre”.

Um dia, o boêmio entendeu que aquilo de “mestre” era demais, pois já o importunava. Quando o homem passou por ele e lhe deu, mais uma vez aquele tratamento, Emílio, depois de um “Salve”, disse, venenoso, aos amigos que o rodeavam:

– Aquele sujeito imagina, com certeza, que eu haja sido tratador de cavalos!