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PEDIDO DE EXPLICAÇÃO

Certo jornalista, depois de muito injuriar a Martim Francisco, que não dera a mínima resposta, estampou, no seu pasquim, um asno a escoicear, cuja cabeça era a de Martim. O Andrada retrucou-lhe com um de seus bilhetes de estilo telegráfico: “Indago do motivo pelo qual, em sua folha do dia tal, saiu a minha cabeça sobre o corpo de V. Excia…”

POQUE NÃO POSSO…

Um advogado, a quem Martim Francisco ia levando, numa causa, de canto chorado, perguntou ao ilustre causídico santista, irritado:

– É verdade que o Senhor anda falando mal do meu cliente, para todo o mundo?

– Para todo o mundo…, não, porque não conheço todo o mundo; senão falava…

COMPARTILHANDO

Noutra causa em que tanto o réu quanto a vítima eram escreventes de um mesmo escritório, e Martim Francisco defendia a tese de que o crime ocorrera como vingança pela traição da mulher do primeiro com o segundo, ele declamou os seguintes versos de Curvo Semedo:

                        Certo escrevente casado

                        Tinha em casa por dinheiro

                        Outro escrevente solteiro;

                        Houve entre eles grande enfado

                        E de murros um chuveiro,

                        Mas por causa bem pequena:

                        Foi por molharem a pena

                        Ambos no mesmo tinteiro.

PÉ POR MÃO

Certo dia, em assembléia política, um orador fez comentários deselegantes à Martim , cuja lealdade correligionária punha em dúvida.

– A notícia da defecção não a tenho em primeira mão – anunciou o acusador.

– É perfeitamente exato! – retrucou Martim Francisco. – Não a tem em primeira mão e sim ao quarto pé!

CONFUSÃO

Numa contenda jornalística, o seu adversário declarou pomposa e categoricamente, entre diversas insolências dirigidas a Martim: “Escrevo para a posteridade”.

– O meu nobre adversário, – redargüiu-lhe Martim Francisco – confunde posteridade e posterior!

SÓ BURACOS

Um conhecido milionário, extremamente sovina, certo dia certo dia ele fora ao Pascoal, comprar um quilo de queijo suíço, recomendando ao caixeiro:

– Cuidado, hein! Veja como corta! Olhe que, outro dia, eu levei meio quilo deste queijo e verifiquei, ao chegar em casa, que tinha mais de duzentos gramas de buracos.