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TERRORISTA AVÍCOLA
Proclamada a República, imediatamente começou uma era de revanchismo e perseguições políticas, onde não faltou o ridículo.
Constou no Rio que alguns conspiradores projetavam fazer voar, pela dinamite, o túnel grande da estrada de ferro Central do Brasil. E, como era preciso atribuir a alguém a concepção do atentado, ela foi logo atribuída a Emílio Ruède, um pacato criador de galinhas.
O raciocínio cartesiano dos sábios da Polícia Secreta deverá ter sido este: “O dinamitador pretende fazer voar tudo pelos ares! Ora, quem voa pelos ares são as aves. Galinhas são aves; logo, o dinamitador é um criador de galinhas! Claro como água…
TÍPICO
O barão “X” é pessoa grave e séria, mas de atraso estupendo em qualquer assunto literário.
Uma vez à mesa da viscondessa “C”, esta como o visse muito calado, quando todos falavam de literatura, disse-lhe:
– Gosta de Victor Hugo, Sr. barão?
– Sim, minha senhora. Aceitarei uma perninha, mas sem molho.
NÃO ERA PRECISO
Certo conselheiro, ouvindo pela primeira vez o verbo transformar, achou-o tão bonito, que resolveu empregá-lo na primeira ocasião que lhe aparecesse.
Um dia, querendo dizer a uma senhora conhecida que ia montar na sua besta para ir ao conselho municipal, assim exprimiu-se, cônscio de sua erudição:
– Logo que a hora chegar, transformo-me na minha besta, e vou deliberar.
VINGANÇA!
Um peralvilho, profundamente sentido por não ter sido convidado para certa soirée, jurou vingar-se:
– Vão ver só! Vou dar um baile e não convidarei a ninguém!…
SÓ ASSIM
Um indivíduo, abrindo um armazém de secos e molhados, resolveu adotar por emblema da casa um enorme pato que devia figurar em uma tabuleta por cima de pomposo letreiro. O pintor encarregado de realizar a idéia, em vez do pato que lhe foi pedido, contornou na tela um monstro que nenhum naturalista tinha ainda classificado.
Desgostoso, o dono do estabelecimento aceitou a tabuleta, mandando pôr por baixo a seguinte inscrição: “Isto é pato.”
CARRUAGEM NÃO
Numa estação de estrada de ferro, uma avantajada matrona, vestida de preto dos pés à cabeça, chega bufando esbaforida e diz a um carregador de malas:
– Ouça lá, vocemessê era capaz de chamar-me uma carruagem?
O carregador:
– Propriamente uma carruagem, não a chamarei. A senhora faz-me lembrar antes uma locomotiva…