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“FAZEIRE U VRAZILE”
Aluísio de Azevedo estreou como caricaturista fazendo alusão ao “fazer o Brasil” dos imigrantes portugueses. A ilustração mostrava um laboratório onde entram imigrantes portugueses magricelas e de tamancos. O índio brasileiro ativa a fornalha com que saem do outro lado da almanjarra os nédios barões, viscondes e comendadores lusos, o ventre próspero, o ar arrogante, a Cruz de Cristo no alto do peito. “À chegada e alguns anos depois”- é a legenda.
De acordo com o velho adágio dirigido aos imigrantes que enriqueciam na nova terra: “Pai agricultor, filho doutor, neto senador”.
Não era o que ocorria com a maioria, contudo. Os outros foram alvo da ironia de Monteiro Lobato: “É assombroso como do português retaco, robustissimo, que de sol a sol brita pedra nas pedreiras do Rio, o “meio” extrai em duas gerações… um candidato a porteiro de grupo escolar!”
PRONOME DENUNCIADOR
Num dia de Carnaval, no Rio de Janeiro, Rafael Bordalo Pinheiro, metido num “dominó”, se encontrou com Machado de Assis à porta da Livraria Garnier, e indagou-lhe, disfarçando a voz:
– O senhor conhece-me?
E Machado, identificando o mascarado:
– Conheço pela colocação do pronome. É Rafael Bordalo Pinheiro.
VIGARICE INSTITUCIONALIZADA
O “encilhamento”, que foi apresentado como a solução de todos os males, levou o país ao caos econômico. Foi um fenômeno de apostas e jogos – na bolsa de valores – em que se transformou a política de emissão de moeda, por parte do governo federal, que na gestão de Rui Barbosa no Ministério da Fazenda, chegou a ter 80% de papel moeda sem lastro que as garantisse!…
A inflação e o sentimento de que tudo não passava de vigarices e vigaristas, tomaram conta da população e da imprensa.
A respeito da febre especulativa do “encilhamento”, Machado de Assis escreveu: Quem não viu aquilo não viu nada. Cascatas de idéias, de invenções, de concessões, rolavam todos os dias, sonoras e vistosas para se fazerem contos de réis, milhares e milhares de contos de réis.
XÍCARAS INFLACIONÁRIAS
Com o “encilhamento” a inflação e o custo de vida foram às alturas, uma vez que os produtos importados dominavam o mercado.
Uma das muitas anedotas que havia na época a respeito da inflação, era aquela do freguês que reclamava do preço abusivo do cafezinho, sendo o café o produto agrícola mais abundante no Brasil, levando o bigodudo lusitano atrás balcão, a justificar:
– O café é nacional, mas as xícaras são importadas!
É O VASQUES
Vasques, o ator cômico mais popular no tempo do Império, num certo Carnaval, para intrigar a própria família e os amigos, mandou fazer um dominó cheio de babados, que o tornava irreconhecível. E, para garantir o sucesso, foi vestir-se em casa de um amigo.
Mal saiu à rua, ouviu logo: “Este é o Vasques”.
Aturdido, desanimado e desconfiado, continuou a caminhar, já sem entusiasmo, e por onde passava ouvia sempre: “Este é o Vasques”.
Envergonhado e desiludido, voltou à casa do amigo e verificou que este havia pregado às costas da fantasia, um papel que dizia: “Este é o Vasques”.
COM A REPÚBLICA…
Olavo Bilac escreveu numa crônica: (…) Sou também cioso dos meus direitos: quero saber por quem vou ser governado. Pelo Povo. Bem. Vejamos o que é o povo. Oito horas da manhã. Abro a janela. Aqui está o povo diante de mim. Um quitandeiro. Preto. Tem talvez cinqüenta anos, tem frutas de todas as espécies (…) Chegou, encostou à parede o tabuleiro: devo perguntar-lhe qual a sua opinião sobre o direito público federal?