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CASA-DA-SOGRA

A expressão de gíria, no sentido de lugar onde o sujeito faz o que lhe dá na veneta, é muito antiga. Já em 1651, numa coletânea de adágios populares portugueses, Antônio Delicado registra: Estende-se (fica à vontade) como vilão (malandro) em casa de seu sogro. Deve-se ao fato de que, até meados do século XX a grande meta de qualquer mulher, era o casamento. Tanto que os pais da moça costumavam dar ao genro, que fazia a gentileza de levar-lhes a filha, uma remuneração: o dote. Imagina-se que o candidato a genro devia ser tratado pela sogra com todos os mimos!…

MOLEQUE

O brasileirismo é originário da palavra africana muleke (garoto). No Brasil escravocrata, toda casa tinha o seu moleque. Pretinho esperto e gracioso, para levar recados, fazer compras, fazer companhia às crianças da casa, etc. Já em 1811, Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, nas suas famosas crônicas epistolares, relata peripécias do seu moleque. A simpatia despertada pelo moleque, revela-se nos personagens nele inspirados, como o Saci Pererê, e o Negrinho do Pastoreio. Hoje o termo é aplicado a todo e qualquer menino, e é comum um pai referir-se ao seu próprio filhinho como “o meu moleque”.

BACANA (OU BACANO)

É um brasileirismo, do linguajar da rua, que originou-se de bacanal – festa orgíaca e licenciosa em honra de Baco, divindade da mitologia romana. Em certa época o povo costumava dizer de uma festança qualquer, ainda que não orgíaca: “Foi ótimo, foi um bacanal!”. Depois o neologismo passou a designar alguma coisa bonita, interessante, da moda.

BANGUELA

Provém dos africanos da região de Benguela, na Angola portuguesa, que consideravam muito atraente a falta de alguns dentes da frente das pessoas. Os escravos ali embarcados para o Brasil costumavam ser desdentados, daí o surgimento do termo. As beldades daquele povo sujeitavam-se à extração de um ou dois dentes, sem anestesia, com o mesmo estoicismo com que hoje as socialites submetem-se a uma operação plástica – tudo em nome da beleza!…

NO TEMPO DO ONÇA

A expressão, que significa há muito tempo atrás, vem do apelido dado pelo povo a Luís Vahia Monteiro, que foi governador e capitão-geral do Rio de janeiro. Ranzinza e genioso, era dada à freqüentes acessos de fúria. Afinal, enlouqueceu no cargo, tornando-se até violento. Por essa razão foi apelidado “o Onça”. E a expressão se justifica no sentido de muito antigamente, pois ele governou de 1724 a 1732.

PULO DO GATO

A expressão vem de conhecida fábula: A onça queria devorar o gato, mas este era muito ágil nos seus pulos, e sempre escapulia. Ela urdiu então um plano: fingiu-se amiga, e pediu ao gato que lhe ensinasse a pular. O gato concordou, e ensinou-lhe uma série de pulos. Quando a onça pensava que já conhecia toda a matéria, saltou sobre o gato para devorá-lo, mas este deu um pulo inédito, e escapou-lhe das garras. A onça então protestou: “Esse pulo você não me tinha ensinado!” “É claro que não”, respondeu o gato, matreiro, “O mestre nunca ensina tudo o que sabe!” Esse é o pulo do gato. Historinha é chocha, mas a expressão ficou…