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MACACO VELHO

 No sentido de pessoa experiente, vem do ditado popular “Macaco velho não mete a mão em cumbuca”. Existe no Brasil uma conhecida árvore chamada sapucaia, cujo fruto é uma cumbuca, dentro do qual encontram-se pencas de castanhas. Quando o fruto amadurece, as castanhas vão caindo com o balançar dos galhos, por uma estreita abertura na parte inferior da cumbuca. Os macacos apreciam muito essas castanhas, e costumam enfiar a mão pela abertura para pegá-las. A mão, fechada e cheia de castanhas, aumenta de volume e o macaco não pode retirá-la, ficando preso. A liberdade só é recuperada quando o macaco, exausto, abre a mão e solta as castanhas. Essa tragédia, porém, só acontece com macacos novos, sem experiência da vida… Pois, macaco velho não mete a mão em cumbuca!…

NEGÓCIO

A expressão deriva do latim nec otium. A antiga aristocracia romana considerava o trabalho coisa indigna, castigo próprio para escravos. Por isso o nobre que se prezava, não fazia absolutamente nada. O ócio devia ser gozado com dignidade – otium cum dignitate. Até mesmo para a gestão de seus bens, utilizavam procuradores. Quando, por força das circunstâncias, algum aristocrata se arruinava, e era obrigado a fazer transações comerciais com os plebeus, sua reputação ficava maculada. Isso era considerado pela aristocracia, humilhante e vergonhoso, pois era a negação do ócio; ou nec otium. Coitados! Dá uma pena…

GASPARINHO

O termo, popular quando só havia a loteria comum, significa fração do bilhete. Deve-se ao conselheiro Gaspar de Silveira Martins que, quando ministro da Fazenda, foi quem autorizou a venda de frações de bilhetes de loteria. O povo passou então a chamar gasparinhos aos pedaços de bilhetes.

NÃO METER PREGO SEM ESTOPA

Tem o sentido de ser prevenido, tomar todos os cuidados, não fazer nada antes de certificar-se de que o resultado será certo. Por amor de Deus! – protestará alguém – o que tem estopa a ver com prego? Muito. O termo é originário de Portugal, onde, por tratar-se de uma nação de marinheiros, os brocardos freqüentemente têm conotação náutica. No caso, sempre que um prego ia ser cravado no casco de madeira de um navio, havia necessidade de vedar o furo, utilizando estopa com betume. Ou então, a caravela iria ao fundo…

ARARA

Os etimologistas concordam que a palavra arara é de origem indígena. Mas uns acham que é uma onomatopéia; o grito da conhecida ave daria a impressão que ela está dizendo “a-raa-ra”! Outra versão é a dos que afirmam que arara é  formada pela repetição de ara, que significa periquito em tupi-guarani. “Ara-ara” seria, então, periquito duas vezes, embora – como observa o Barão de Itararé com muita propriedade – as araras sejam em geral 4 ou 5 vezes maiores que os periquitos. Vá lá se saber…

DAR COM OS BURROS N’ÁGUA

A expressão tem o sentido de fracassar, frustrar as expectativas, encontrar um obstáculo intransponível. A sua origem vem dos tempos coloniais, em que todo o transporte de mercadorias era efetuado por tropas de burros e mulas. O maior transtorno numa dessas viagens era perder o rumo, e inesperadamente encontrar um rio pela frente, sem ponte ou balsa por onde passar os animais. Esse revés era chamado dar com os burros n’água.