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CANTAR DE GALO

 Mandar, dar as ordens. O termo vem do fato do galo ser o senhor plenipotenciário do galinheiro (só não tem poder de vida e morte; quem tem é a cozinheira…). O termo já aparece na obra “Adágios portugueses reduzidos a lugares comuns”, de Antônio Delicado, publicado em 1651; embora dirigido à crítica dos lares onde a mulher manda mais que o marido: Triste casa onde a galinha canta e o galo cala.

A VACA FOI PARA O BREJO

O brasileirismo tem o sentido de surgimento de complicação, acidente, dificuldade imprevista. Há pelo menos duas explicações para a expressão, ambas de origem na agropastoril: Uma atribui o dito ao aborrecimento, sentido pelos vaqueiros ao constatarem que uma rês meteu-se num atoleiro, prevendo a trabalheira que dará retirá-la; outra acredita que a expressão deva-se fato de que quando a seca torna-se mais severa, os animais começam a procurar os brejos, regiões que permanecem alagadas por mais tempo.

CHULÉ

Mau cheiro nos pés. Há quem afirme que a palavra é de origem africana, mas na verdade vem do termo latino solea, a sandália de couro dos soldados romanos. Nas longas caminhadas que faziam as tropas romanas, ela ficava com um cheiro horroroso, o que deu origem ao termo. Com o passar do tempo, a palavra foi passando por alterações na Península Ibérica. Os portugueses foram mudando o termo, inicialmente para chuli, depois para chulo, até dar no atual chulé.

MATAR CACHORRO A GRITO

É um termo de gíria que significa estar totalmente desprovido de recursos para enfrentar uma dificuldade. Vem da situação do sujeito que é atacado por cães e que não dispõe de nada para se defender; nem uma arma, um porrete, uma pedra. Só lhe resta tentar assustar os cães com gritos!… Há uma anedota do século XVI, do sujeito que adentrando uma cidade estranha, é atacado por cães ferozes, e tenta inutilmente arrancar uma pedra do chão, para se defender, exclamando: “Maldita cidade esta, em que os cães estão soltos e as pedras estão presas!” Matando cachorro a grito, é aplicável tanto ao sujeito que não tem um centavo no bolso, quanto à moça que não consegue namorado, por exemplo.

CABRA DA PESTE (CABRA DA MOLÉSTIA)

 Houve época no Brasil, que quem tivesse algum sangue negro nas veias, era chamado bode ou cabra . Assim, o birrento governador do Maranhão de 1806 a 1809, Francisco de Melo Câmara, por ter a tez amorenada, foi alcunhado O Cabrinha, pela população que o detestava. Além disso, em Portugal já havia o termo cabrão, para designar homem mau, criminoso, safado. Assim, as volantes que combatiam os cangaceiros no final do século XIX  e início do século XX, os chamavam de cabras da peste, com intenção altamente ofensiva, de degradação racial e moral. Hoje, contudo, no Nordeste o termo passou a ter conotação positiva, de homem valente, perigoso, forte. Se no passado chamar alguém de cabra da peste era provocação de briga, hoje muitos nordestinos batem no peito e proclamam-se com orgulho: “Eu sou um cabra da peste!”

COLOCAR UMA PENINHA

Significa complicar; introduzir uma dificuldade adicional, e desnecessária, num problema qualquer. Expressão muito usada ao referir-se a questões de provas escolares, em que o professor coloca uma peninha, para dificultar. A expressão de gíria brasileira provém de uma conhecida anedota dos anos 30 do século XX.

Um sujeito propôs a outro esta adivinhação: “Qual é o bicho que tem quatro pernas, come ratos, mia, passeia pelos telhados e tem uma peninha na ponta da cauda?” Está claro que ninguém adivinhou.

– Pois é o gato – explicou ele.

– Gato com peninha na cauda?

– Sim. A peninha está aí só para atrapalhar.