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O DEFUNTO ERA MAIOR!…

Expressão sarcástica utilizada desde o século XIX no Brasil para fazer troça de alguém que veste roupas muito grandes para o seu tamanho. A expressão provém do hábito, na sociedade luso-brasileira, de repartir as roupas do falecido entre os seus parentes e amigos sobreviventes.


AMIGO DA ONÇA

A conhecida expressão de gíria brasileira, amigo da onça, significa falso amigo, inimigo dissimulado em amigo. O termo foi muito utilizado em certa época, quando as caricaturas do personagem “Amigo da Onça”, do humorista Péricles Maranhão, apareciam semanalmente, de 1943 a 1962, na revista “O Cruzeiro” – a de maior tiragem do Brasil na época. A origem do brasileirismo, assim como do personagem cômico, foi a seguinte anedota, conhecidíssima no início do século XX:

Dois caçadores conversam num acampamento. Diz um deles ao outro:

– O que você faria se surgisse uma onça agora aqui?

– Ora, eu dava-lhe um tiro!

– Não, mas se a espingarda estivesse descarregada?

– Então eu a matava com o facão!

– Mas, se não você tivesse facão?

– Eu então subia numa árvore, ué…

– Mas, e se não houvesse nenhuma árvore por perto?

– Aí eu saia em disparada.

– Não, não… Mas e se você ficasse paralisado de medo?

Com esta o interrogado encarou o amigo, e perguntou:

– Mas, afinal: você é meu amigo, ou amigo da onça?!

MONTANHA RUSSA

A chamada montanha russa caracteriza-se principalmente  …por não ser russa! Trata-se de mais um dos inúmeros equívocos verificados com os termos importados. O conhecido brinquedo de parque de diversões foi inventado na Alemanha, de onde foi exportado para o resto do mundo. Os alemães a denominam rutschberg. Berg, montanha; e rutsch, de rutschen, escorregar. Os franceses confundiram rutsch com “russo” e fizeram montagne russe, que nós traduzimos por montanha russa, reproduzindo a asneira.

SARGENTO

Há um conhecido dispositivo de fixação de objetos a serem trabalhados, que no Brasil é conhecido pelos operários como sargento. De onde vem o termo? O aparelho surgiu em nossa terra no século XVIII, trazido por carpinteiros franceses, que o chamavam serrejoint. Sargento foi, portanto, mais um caso de deturpação de palavra estrangeira, que os nacionais repetiram como lhes pareceu terem ouvido.

NA PINDAÍBA

É termo vulgar no Brasil, com o significado de estar muito mal, na pior, nas últimas. Refere-se principalmente à situação financeira, mas poderá também, em certos casos, aludir ao estado da saúde ou a outras necessidades. A princípio, está na pindaíba, quem não tem um tostão de seu. A palavra pindaíba designa uma fruta da família das Anonáceas, e o termo de gíria está ligado ao fato da sua polpa ser muito fina, ralinha e sem substância. Presume-se que pretenda dizer que a pessoa está tão sem recursos que não tem outra alternativa que alimentar-se dos frutos da pindaíba, mesmo sabendo que esta lhe oferecerá pouco alimento.

DO ARCO-DA-VELHA

Significa algo espantoso, inacreditável, absurdo ou inverossímil. Segundo alguns autores a expressão teria origem no Antigo Testamento. Sendo “arco-da-velha” o mesmo que arco-íris ou arco-celeste, seria este o sinal do pacto que Deus estabeleceu com Noé, segundo a Gênesis 9:16, que diz : “Estando o Arco nas nuvens, Eu ao vê-lo recordar-Me-ei da aliança eterna concluída entre Deus e todos os seres vivos de toda a espécie que há na terra”. Arco-da-velha nada mais seria, portanto, que a redução de “Arco da Lei Velha”. Convenhamos, coisa um bocado velha…